Acordei cedo para ir dar uma aula inaugural na Universidade de Chapecó, interior de Santa Catarina, e acabei no Arpoador.
A terra é redonda, do Oriente se vai ao Ocidente e vice-versa, mas desta vez exagerei. Me equivoquei. Cheguei ao aeroporto e o rapaz do balcão me advertiu, seu vôo é amanhã!
Veja que sorte, pois não achando lugar no estacionamento do aeroporto deixei o carro num lugar qualquer. Não havia escolha. Era deixar ou perder o vôo. Como me disse o guardador, qdo voltei (andando perigosamente sobre os canteiros do aterro igual a um desterrado), se deixasse o carro ali ele ia ser depenado.
Que fazer quando se erra? Transformar o equívoco em júbilo. Quer saber? Vou é para a praia. Um dia estupendo como esse...
Dito e feito.
Mar sereníssimo, praia de antigamente.
Mergulho em Ipanema, vou andando pela areia e mergulhando de cem em cem metros. A literatura também é uma olimpíada, que os fracos abate, etc.
E me dou conta de uma coisa pavorosa: de como morando no Rio vou pouco à praia. Há sempre desculpas, além de ter um terraço em Ipanema. Mas hoje me vinguei de mim mesmo, da bobagem de errar o dia do vôo. Subo as pedras do Arpoador, vejo a amplidão azul, os barcos ao longe, os surfistas, os cães, os turistas. Tomo uma água de côco, como se tivesse chegado de Minas. Contemplo a favela Pavão/Pavãozinho cada vez mais moderna e agora com um elevador futurista.
E andando na areia, entrando e saindo da água, saúdo os amigos que se foram e que não podem estar neste sol glorioso. Saúdo os que estão retidos nos escritórios e olham o mar como uma hipótese de fim de semana. Recebo como uma bênção essa luz que os que estão no hospital não podem ver.
A Terra é redonda. Errar é humano.
Obrigado, Chapecó!

